quarta-feira, 15 de junho de 2011

Beija Flor de Jesus

ENFERMA

     Chegara-se aos primeiros dias de dezembro de 1935. Ema frequentava com assiduidade e grande interesse as aulas. Mas a Virgem exigiu dela um sacrifício, e Ema que aprendera a responder sempre "sim", o repetiu também desta vez generosamente.
     Uma forte dor de dentes foi o início de uma série de males que só terminaram no dia 5 de abril, quando Ema deixou a terra em voo para a eternidade.
     Teve que deixar a escola e encerrar-se em seu quartinho. Mas ainda de cama continuou por dois meses a desempenhar seus deveres escolares; depois, uma forte dor no braço direito privou-a também desta última ocupação para ela tão agradável.
     Ema sofria, mas nunca se queixava: pelo contrário, sofria com paciência, entretendo-se a conversar de Jesus, da Virgem e do céu. De tal modo, a angústia de seus pais era atenuada pela jovialidade com que a menina suportava a doença.
     Como o mal se agravasse, decidiram levá-la ao hospital para uma consulta. Esperava trazê-la logo para casa, mas no hospital julgaram mais conveniente que a menina ficasse.
     _ Você quer ficar Ema? _ perguntou-lhe a mãe.
     _ Se a senhora quiser, sim... - mas duas grossas lágrimas brilharam-lhe nos olhos azuis.
     Afastar-se dos pais que ela tanto amava deve ter sido muito doloroso. Iam visitá-la quase diariamente , mas podiam ficar pouco tempo. Foi uma destas visitas que a mãe trouxe a Ema doces, chocolates e frutas.
     Deixou tudo sobre a mesinha. Passou uma enfermeira; viu todas aquelas gulodices e sentiu-se em dever da observar:
     _ Minha senhora, esta menina está em tratamento, mas se ela comer todos esses doces...
     _ Oh, a senhora não conhece Ema.
     _Isto é?
     _ Ainda que tivesse a gaveta cheia de doces, Ema não seria capaz de comer um só sem ter licença para isto; seria suficiente proibi-lo.
     E a enfermeira não tardou em convencer-se de que era verdade o que a mãe dissera.
Por tantas razões facilmente compreensíveis, os primeiros dias de hospital foram duros; mas depois aos poucos, veio a serenidade, a calma e também (porque não) a alegria. Sim, a alegria, porque Ema encontrou no hospital aquilo que não podia possuir em casa: Jesus Hóstia que todas as manhãs recebia devotamente em seu coração. Antes mesmo que o sacerdote iniciasse a santa Missa, Ema sentada em seu pequeno leito alvo, preparava-se para a Comunhão com seu livro de orações.
     Quão doces terão sido os colóquios entre Jesus e Ema naqueles grandes momentos de união íntima e tão sublime!
     Aos homens não é dado ler nos corações, as sabem muitas vezes o que neles se passa julgando pelo axpecto exterior. Todas as enfermeiras notavam na pequena Ema um aumento de fortaleza e de virtude; a mãe, cheia de sofrimento, via aumentar cada dia a graça naquela criatura eleita; e todos quando chegavam a conhecer a pequena, compreendiam que se achavam diante de uma flor cuja corola já se abria à luz do céu. 



OBS: Dá pra acreditar, eu estou postando no dia certo!

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