sábado, 23 de julho de 2011

DICA [10]

A dica de hoje, é de um filme muito bom chamado Prova de Fogo. Ele conta a história do bombeiro Caleb que é um herói na sua profissão, mas eu não diria o mesmo em seu casamento. Como nos demais filmes da Sherwood Picture, o filme e baseado em princípios cristãos e tem como fundamento a Bíblia. A partir do momento que Caleb resolve dissolver o seu casamento ele recebe uma proposta de seu pai para adiar a sua decisão em 40 dias. Neste tempo ele irá seguir as instruções de um livro, escrito à mão, que salvou o casamento de seus pais. Este livro chama-se The Love Dare (Desafio do Amor) e dá instruções passo a passo para salvar o seu matrimonio.


Finalmente um dica é postada nesse blog! Desculpa mesmo por tanta demora, mas agora eu pretendo deixar tudo ajustadinho.

Kisses e bom final de semana!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Beija Flor de Jesus

VOLTA PRA CASA

     O mal mostrava-se rafratário a toda e qualquer cura, torturando e minando o pequeno corpo de Ema. Foi assim que em 23 de março resolveram levá-la para casa.
     Ema sabia que faltava pouco para o grande dia, para a grande viagem, e por isso procurava aproveitar no máximo a companhia de sua mãe, confiando-lhe os pensamentos sobre as coisas do céu.
     - Mamãe, fala-me de Jesus, só de Jesus - dizia.
     E quando alguma amiga da mãe vinha visitá-la e começava a falar de mil coisas, Ema dizia:
     - Mande-a embora, mamãe; quero ficar sozinha com a senhora para falar de Jesus.
Mas, em geral, Ema mostrava-se muito gentil com quem vinha visitá-la, agradecendo sempre.
     Não gostava que a tocassem; fazia tudo por si e quando precisava ser ajudada por alguém apelava para a mãe. Certo dia foi preciso aplicar-lhe uma injeção. Já estava tudo pronto, mas quando Ema viu em seu quarto uma pessoa estranha que nada tinha que ver com o caso, recusou-se a receber a injeção. Só permitiu quando o quarto ficou livre.
Os dias passavam lentos e dolorosos. E as noites eram ainda mais penosas, intermináveis, pois é, é sábio que o pôr do sol e o aparecer das trevas constitui para o doente um verdadeiro tormento físico ou mental.
     - Por que devemos sofrer mais de noite que de dia? - perguntava uma pequena holandesa que havia oferecido todos os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores.
     - Porque - respondia-lhe a mãe - é justamente de noite que se cometem a maioria dos pecados e os mais graves. Muitos frades e muitas religiosas levantam-se durante a noite para rezar por aqueles que estão pecando. É justo, pois, que também as crianças doentes ofereçam ao bom Deus seus sofrimentos para aplacar a justiça divina.
Ema oferecia-os todos porque compreendia que era necessário.
     - Quem é mamãe, que está fazendo tanta algazarra lá fora? - pergunta uma noite, ouvindo na rua vozes e risadas descompostas.
     - São as moças da vizinhança que voltam para casa.
     Ema suspirou tristemente: - Moças? Paciência os rapazes, mas agora também as moças...
     E renovou silenciosamente em seu coração a oferta amorosa que fizera.
     A notícia daquela menina que em seu leito de sofrimento dispensava sábios conselhos a todos quanto recorriam às suas orações difundira-se rapidamente na cidade. Muitos iam visitá-la pelo simples prazer de ouvi-la falar sobre as coisas celestes.
Mas se alguém apresentava-se em seu quarto em trajes pouco modestos, não obtinha nem sequer uma resposta da querida menina. Foi assim que certa vez diante de uma senhora muito distinta, mas pintada e decotada, Ema recusou-se em dizer uma só palavra, enquanto pouco antes e logo depois, com outras pessoas mostrou-se muitíssimo afável e disposta a responder a tudo quanto lhe perguntavam.
     Ema! A nós também tu ensinas a sublime virtude da delicadeza. Dizes que todos, se o quisermos e rezarmos, podemos nos assemelhar aos anjos, tornar-nos raios de sol e a alegria da família.
     Durante os dias que permaneceu em família recebeu várias vezes a santa Comunhão, e ela mesma pediu a Extrema Unção. Certa vez, depois de ter comungado, pediu para que a deixassem sozinha. Recolheu-se com extraordinária devoção, sentada em seu leito, de mãos postas e olhos cerrados: falava com o seu Jesus.
     - Mamãe - disse um dia com absoluta calma e serenidade. - Sinto que muito em breve eu irei morrer. Não seria melhor que eu fizesse uma confissão de todos os pecados que cometi durante minha vida?
     A pequena ignorava, talvez, o termo "confissão geral", mas compreendera a necessidade dela e quisera praticá-la. Foi justamente depois dessa confissão que ela exclamava com toda simplicidade.
     - Minha alma agora está branca como depois do batismo.
     Ema não temia a morte e não gostava de ver os outros entristecerem por sua causa.
     - Não compreendo porque a senhora chora tanto, mamãe - disse um dia, vendo que a mãe tinha os olhos vermelhos. Sempre que a senhora fala de mim vejo-a com os olhos cheios de lágrimas: tem medo que eu morra? Mas se eu morrer vou para o paraíso!
     - Sim, é claro, mas você não pensa que deixa sua mãe chorando?
     - A senhora não o deve fazer. Se quando eu estiver no céu, a senhora chorar muito, então direi a Jesus para que mande alguém consolá-la!
     - Mamãe, soube que a senhora queria encurtar meu vestido branco para o verão. Não o faça, mamãe.
     - Por que, Ema?
     - Logo, quando irei para o paraíso, desejo que a senhora me ponha o vestido branco da Primeira Comunhão... meias brancas... o véu... e também as luvas. E gostaria também de ter os cabelos soltos como Santa Inês...
     - Oh! Não chore, mamãe. Eu sei que vou morrer, mas a senhora não deve ficar triste. Após a minha morte terá mais sossego, estará tranquila. Não me disse a senhora que a dois caminhos para chegar ao céu: um recoberto de rosas, e outro só de espinhos? Pois eu escolhi o caminho de espinhos...
     - Por que você não pede ao bom Jesus que a faça sofrer um pouco menos - dizia-lhe certo dia um padre que viera visitá-la. Pode-se ir ao céu também pelo caminho de rosas...
     - Não Reverendo, eu quero ir pelo caminho de espinhos.
     E tinha razão a pequena Ema; o caminho de espinhos é bem mais doloroso, mas também mais seguro e reto; foi este o caminho escolhido por Jesus, pela Virgem, pelos Santos.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Beija Flor de Jesus

ENFERMA

     Chegara-se aos primeiros dias de dezembro de 1935. Ema frequentava com assiduidade e grande interesse as aulas. Mas a Virgem exigiu dela um sacrifício, e Ema que aprendera a responder sempre "sim", o repetiu também desta vez generosamente.
     Uma forte dor de dentes foi o início de uma série de males que só terminaram no dia 5 de abril, quando Ema deixou a terra em voo para a eternidade.
     Teve que deixar a escola e encerrar-se em seu quartinho. Mas ainda de cama continuou por dois meses a desempenhar seus deveres escolares; depois, uma forte dor no braço direito privou-a também desta última ocupação para ela tão agradável.
     Ema sofria, mas nunca se queixava: pelo contrário, sofria com paciência, entretendo-se a conversar de Jesus, da Virgem e do céu. De tal modo, a angústia de seus pais era atenuada pela jovialidade com que a menina suportava a doença.
     Como o mal se agravasse, decidiram levá-la ao hospital para uma consulta. Esperava trazê-la logo para casa, mas no hospital julgaram mais conveniente que a menina ficasse.
     _ Você quer ficar Ema? _ perguntou-lhe a mãe.
     _ Se a senhora quiser, sim... - mas duas grossas lágrimas brilharam-lhe nos olhos azuis.
     Afastar-se dos pais que ela tanto amava deve ter sido muito doloroso. Iam visitá-la quase diariamente , mas podiam ficar pouco tempo. Foi uma destas visitas que a mãe trouxe a Ema doces, chocolates e frutas.
     Deixou tudo sobre a mesinha. Passou uma enfermeira; viu todas aquelas gulodices e sentiu-se em dever da observar:
     _ Minha senhora, esta menina está em tratamento, mas se ela comer todos esses doces...
     _ Oh, a senhora não conhece Ema.
     _Isto é?
     _ Ainda que tivesse a gaveta cheia de doces, Ema não seria capaz de comer um só sem ter licença para isto; seria suficiente proibi-lo.
     E a enfermeira não tardou em convencer-se de que era verdade o que a mãe dissera.
Por tantas razões facilmente compreensíveis, os primeiros dias de hospital foram duros; mas depois aos poucos, veio a serenidade, a calma e também (porque não) a alegria. Sim, a alegria, porque Ema encontrou no hospital aquilo que não podia possuir em casa: Jesus Hóstia que todas as manhãs recebia devotamente em seu coração. Antes mesmo que o sacerdote iniciasse a santa Missa, Ema sentada em seu pequeno leito alvo, preparava-se para a Comunhão com seu livro de orações.
     Quão doces terão sido os colóquios entre Jesus e Ema naqueles grandes momentos de união íntima e tão sublime!
     Aos homens não é dado ler nos corações, as sabem muitas vezes o que neles se passa julgando pelo axpecto exterior. Todas as enfermeiras notavam na pequena Ema um aumento de fortaleza e de virtude; a mãe, cheia de sofrimento, via aumentar cada dia a graça naquela criatura eleita; e todos quando chegavam a conhecer a pequena, compreendiam que se achavam diante de uma flor cuja corola já se abria à luz do céu. 



OBS: Dá pra acreditar, eu estou postando no dia certo!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Poder das Palavras

As palavras tem muito poder. Lembra daquela vez que você disse alguma coisa que magoou alguém? Ou te disseram alguma coisa que te magoou?
Pois é! As palavras tem poder, então, é melhor pensar antes de falar, escolher bem as palavras.
O vídeo abaixo, vai te ajudar a perceber como as palavras podem mudar muitas coisas.
Mas, lembre-se que o que sai de sua boca, é o que está em seu coração.
Por exemplo, pense em uma caixa cheia de morangos. O que sairá da caixa? Morangos, não é mesmo?
O mesmo acontece conosco, se estamos cheios de mal, o que sairá de nossas bocas é o mal. Se estivermos cheio de bem, da nossa boca sairá o bem.
Então, procure ficar cheio do Espírito Santo!

Beija Flor de Jesus

PEQUENAS VIRTUDES

     E assim, aquela florzinha de Jesus Eucarístico vai alargando seus ramos como uma árvore. Ema, crescia e dia a dia se aperfeiçoava no amor de Nosso Senhor. Mas o amor tende sempre a manifestar-se em mil formas e a virtude, à medida que crescia amando cada vez mais, crescia em atos de virtude que praticava a cada instante.
     A mamãe estava triste?
     Mas, com um anjo como Ema em casa, nada devia temer. Ela achegava-se à mãe, subia-lhe no colo, com um lenço enxugava-lhe as lágrimas e, a mãe, então, fazia suas confidências à filhinha, na certeza de que receberia dela uma resposta ajuizada e uma palavra de verdadeiro conforto.
     Muito particular era a veneração e o afeto que Ema sentia pelos religiosos e sacerdotes, pois, "são Ministros do Senhor" como ela os chamava.
     Conhecia diversas irmãs entre as do Jardim e das Filhas de São Paulo. Muitas delas, apreciando a devoção da menina, recorriam  a ela para que intercedesse por suas intenções junto ao Senhor.
     Ema sentia-se muito satisfeita quando recebia estas incumbências, pois, nada lhe agradava mais do que rezar e pedir graças aos céus pelos outros.
     Certa vez enquanto a senhora Ernestina fazia suas compras numa loja acompanhada pela filhinha, viu-a seriamente entretida coma mulher da venda. Voltando para casa, a menina confessou à sua mãe:
     - A senhora X está precisando muito de uma graça. Pediu-me que rezasse por ela; é preciso fazê-lo, não é mamãe?
     - Mas, certamente, Ema.
     Poucos dias depois eis que Ema voltava para casa com meio quilo de marmelada.
     - Onde foi que você arranjou isto? - perguntou-lhe a mãe muito surpreendida.
     - Foi a senhora X que me deu, porque ela alcançou a graça.
     Tratava-se de um crédito cuja restituição se julgava impossível.
     Teriam sido realmente as orações de Ema a causa da graça obtida? Pode ser, perfeitamente, mas também deve ter contribuído muito a fé daquela senhora. Foi Jesus quem disse: "Tudo o que me pedirdes com fé, vós o obtereis". Naturalmente, entende-se tudo o que for necessário ou útil para a salvação da alma.
     Todos conheciam a grande obediência de Ema. Assim que lhe pediam alguma coisa apressava-se em obedecer. Era uma das virtudes que ela mais apreciava. Durante sua última doença escreveu: "A menina obediente possui todas as virtudes, porque a obediência leva ao bem e faz com que sejamos queridos por todos".
     Com grande ternura  de seu coração comovia-se à vista dos pobres e recorria sempre com confiança à mãe, pedindo-lhe uma esmolinha.
     Frequentava o Instituto das Filhas de São Paulo, cativara para si a amizade das alunas e tinha por elas uma afeição muito singular. Permirtir-lhe ir até "São Paulo" para visitar as Irmãs era para ela o mais lindo presente.
     Compreendia e amava o apostolado da imprensa das Filhas de São Paulo, e repetia frequentemente: "Quando for grande quero tornar-me Filha de São Paulo".
Lia com vivo interesse o "Jornalzinho", o amigo de todas as crianças. Vira a máquina impressora trabalhando: ficara impressionada.
     Mais tarde, quando já doente no hospital, dirá à irmã assistente:
     - Veja, Madre, como meu coração está batendo depressa! Parece a máquina de "São    Paulo" quando imprime o "Jornalzinho..."
     Desejosa de aprender, ambicionava ampliar seus conhecimentos, principalmente, sobre fatos da nossa santa religião e a mãe relata-nos a esse respeito que muitas vezes ficava embaraçada em responder às inúmeras perguntas da menina.



OBS: Ok, eu sei que devo explicações para vocês. Fiquei um tempinho sem postar, mas agora eu estou voltanto ao normal. Me desculpem, essas ultimas semanas foram muito difíceis pra mim.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Beija Flor de Jesus

AMOR A MARIA

     O amor a Maria está em proporção direta com o nosso grau de santidade. Ema, nascida no mês de Maria, tinha pela Virgem Santíssima uma devoção muito particular.
     Aprendera desde muito cedo a recitar o terço, e todas as noites, quando a família se reunia para rezar em conjunto, dentre todas as vozes, a de Ema ressoava límpida enquanto entoava ou guiava as orações do santo rosário.
      _ Não sei por que _ dizia à mãe _ há gente que acha tão comprido o terço. Vai tão depressa que nem se percebe.
     Ema recitava vários terços por dia, principalmente, durante o mês de outubro, enquanto esperava pelo pai e pelos irmãos, que voltavam do trabalho. E qual não era a sua alegria, quando, à noite, podia confessar à mãe: _ Sabe mamãe, hoje rezei quatro... cinco... seis terços.
     Mas maio era o grande mês para a devoção de Ema: tudo oferecia a Maria, desde as mortificações até os menores atos da vida.
     Numa das páginas de seu caderno escreveu: "Prometo-vos, ó Maria Santíssima, que durante todo este mês hei de rezar o santo rosário aos vossos pés e cantar os vossos louvores".
     Guardava com muito cuidado uma espécie de terço que as aspirantes das Filhas de São Paulo lhe haviam presenteado e que servia para cantar os pequenos sacrifícios do dia. A mãe atesta que Ema  se servia muito frequentemente daquele terço. (E nisto também não se parece muito com a santa das rosas?)
     Durante uma função mariana, o pregador sugerira às meninas uma forma de sacrifício em louvor de Nossa Senhora: nada tomar durante o dia fora das refeições.
     Ema tomara a resolução de praticar este propósito.
     No dia seguinte acompanhou a mãe em visita a uma amiga e sentindo grande sede pediu-lhe gentilmente um copo de água. Quando lha trouxeram encostou os lábios ao copo, mas retirou-o subitamente sem mesmo tê-los molhado.
     _ Por que não toma, Ema? _ perguntou-lhe a amiga adimirada.
     _ Esqueci que tinha feito uma promessa. Ontem o padre disse para não tomar fora das refeições...
     E como este, quantos outros sacrifícios Ema não ofereceu a Jesus e a Maria!
     A diretora da Escola Materna de Alba escreveu ceta vez: "Entre 200 alunos da escola, Ema distinguia-se não só pela inteligência  muito viva e firme vontade, mas também por seu grande amor a Jesus e a Virgem Santíssima, que ela costumava  com dois belos títulos: Ajuda dos cristãos e Rainha dos Apóstolos.
     Em todas as circunstâncias de sua alegre jornada, Ema revelava sempre um suave perfume do paraíso, o perfume da verdadeira piedade.
     Nada mais belo do que vê-la brincando no jardim e interromper o brinquedo para ir até a estátua da Virgem e rezar uma Ave Maria. Depois voltava a brincar com as amiguinhas, mas pouco depois convidava-as todas para irem à imagem da Virgem e juntas rezarem o terço. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Historinha

A netinha pergunta a vovó:
- Vovó, por que as pessoas sofrem?
- Como é que é ?
- Por que as "pessoas grandes" vivem bravas, irritadas, sempre preocupadas com alguma coisa ?
- Bem, minha filha, muitas vezes, porque elas foram ensinadas a viver assim.
(silêncio)
- Vó...
- Oi...
- Como é que as pessoas podem ser ensinadas a viver mal?
- Não consigo entender.
- Por que elas não percebem que não foram ensinadas a serem infelizes, e não conseguem mudar o que as torna assim.
- Você não está entendendo, não é, meu amor?
- Não, Vovó.
- Você lembra da historinha do Patinho Feio?
- Lembro.
- Então... o patinho se considerava feio porque era diferente de todo mundo. Isso deixava-o muito infeliz e perturbado, tão infeliz que um dia ele resolveu ir embora e viver sozinho. Só que o Lago que ele procurou para nadar tinha congelado, e estava muito frio. Quando ele olhou para seu reflexo no lago, percebeu que ele era, na verdade, um maravilhoso cisne. E assim se juntou aos seus iguais e viveu feliz para sempre.
(mais silêncio)
- O que isso tem a ver com a tristeza das pessoas?
- Bem, quando nascemos, somos separados de nossa "natureza-cisne".  Ficamos como patinhos, tentando caber no que os outros dizem que está certo e passamos muito tempo tentando virar patos.
- É por isso que as pessoas grandes estão sempre irritadas?
- Isso! Viu como você é esperta?
- Então é só a gente perceber que somos cisnes que tudo dá certo?
(engasgou)
- O que foi vovó?
- Na verdade, minha filha, encontrar o nosso verdadeiro espelho não é tão fácil assim.
Você lembra o que o patinho precisava fazer para se enxergar?
- O que?
- Ele primeiro precisava parar de tentar ser um pato. Isso significa parar de tentar ser quem a gente não é. Depois, ele aceitou ficar um tempo sozinho para se encontrar.
- Por isso ele passou muito frio, não é, vovó?
- Passou frio e ficou sozinho no inverno.
- É por isso que o papai anda tão sozinho e bravo?
- Como é, minha filha?
- Meu pai está sempre bravo, sempre quieto com a música e a televisão dele. Outro dia ele estava chorando no banheiro... (emudeceu durante algum tempo).
Essas crianças...
- Vó, o papai é um cisne que pensa que é um pato?
- Todos nós somos, querida.
- Ele vai descobrir quem ele é de verdade?
- Vai, minha filha, vai. Mas, quando estamos no inverno, não podemos desistir, nem esperar que o espelho venha até nós. Temos que procurar ajuda até encontrarmos.
- E aí, viramos cisnes?
- Nós já somos cisnes. Apenas não deixamos que o cisne venha para fora, e tenha espaço para viver.
(A menina deu um pulo da cadeira).
- Aonde você vai?
- Vou contar para o papai, o cisne bonito que ele é.
A boa vovó apenas sorriu!
Que um dia possamos descobrir o lindo cisne que somos!