NO CAMINHO DO SABER
Era o outono de 1934. As árvores já haviam perdido suas folhas e o Sol começava a enfraquecer dia a dia.
Todas as manhãs, lá pelas nove horas, a pequena Ema saía de casa para ir à escola. Vestia um aventalzinho branco e levava debaixo do braço a pasta dos livros. Antes de sair, passava diante da imagem do Sacrado Coração de Jesus, e dizia baixinho: "Coração de Jesus, ajudai-me para que eu volte mais boazinhha".
Era assim que Ema, a nova pequena se recomendava ao Senhor todos os dias, ao sair de casa.
Na escola aprende-se a conhecer a vida: é lá que a infância se desenvolve, adquire a sua individualidade e, frequentemente, se aperfeiçoa.
Não é raro encontrar crianças que em casa são caprichosas e na escola comportam-se como modelos de bondade. O exemplo dos companheiros e prestígio dos mestres podem muito sobre o carater e ainteligência de uma criança. Mas para que a educação recebida na escola de resultados realmente eficazes, é necessária a colaboração da família; é preciso que a educação escolar e familiar se harmonizem.
Muitas mães, desde que colocaram os filhos na escola, julgam-se dispensadas de qualquer esforço no sentido de bem educá-los, como se esta tarefa competisse exclusivamente aos mestres.
A mãe de Ema não pensava desta forma. Sabia que sua filhinha para ir até à escola devia percorrer um trecho de estrada onde não havia nada de bom para aprender. Quis portanto adverti-la:
_ Ema, você começou a frequentar a escola; pois bem, saiba que depende de sua escolha ser boazinha ou ruim.
_ Oh, mamãe, fique tranquila: eu serei sempre boazinha _ e havia tanta convicção nesta promessa que a mãe se sentiu realmente tranquilizada.
Tanto a professora como todas suas colegas, são unânimes em afirmar que Ema sempre fora muito diligente em seus deveres escolares. "Ema era a melhor aluna do colégio", escreve uma. Outra assim se expremia pouco depois da morte de Ema: " De agora em diante ela será sempre nosso santo exemplo".
Dotada de inteligência muito viva em memória invulgar, Ema ainda mesmo antes de ter ouvido a explicação já intuía o sentido da lição e era capaz de repeti-la sem hesitação. A professora muito se orgulhava dela e costumava clamá-la "o exemplo da classe".
Ema não tinha o costume como tantas outras meninas de passear depois das aulas pela rua antes de voltar para casa; voltava imediatamente.
Sua mãe que não podia acompnhá-la todos os dias, adivertia-a para que não passasse por determinada rua e evitasse a companhia de certas meninas. Mesmo sem compreender o motivo destas proibições maternas, Ema obedecia à risca.
_ A senhora preparou-me a merenda , mamãe?
_ Você foi boazinha, hoje?
_ Fui sim; não passei pela rua que a senhora proibiu e andei todo o tempo sozinha.
Era realmente agradavel vê-la saltitando ao redor da mãe como um passarinho, contando-lhe tudo o que aprendera na escola, tudo o que vira e ouvira.
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